sexta-feira, 24 de agosto de 2012

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Adoro tudo o que desperta sensações e cria lembranças. 


Adoro aquele seu cheiro que ficou na minha roupa depois das nossas ininterruptas quatro horas de amor. Adoro o frio na barriga, a taquicardia e as gafes cômicas que anunciam o momento do encontro. Adoro as noites em claro refazendo cada cena, cada gesto e cada palavra dita. Adoro o sorriso sem motivo enquanto caminhamos de mãos atadas pela rua. 
A intimidade que derruba todos os planos de como agir, do que não falar. As borboletas no estômago quando aquela música toca justamente quando ligo o rádio. Aquela declaração inesperada e as confissões de desejo em lugares impróprios. O toque suave que arrepia, o carinho da mão nos meus cabelos, transbordando ternura. O olhar que fura minha alma quando me fazia juras de amor, o tom de voz na hora do adeus. O adeus...


Adoro a sinceridade cortante, que de primeira parece grosseria e dá repulsa, mas que impulsiona a pensar, repensar e evoluir. Que me faz tentar ser cada dia melhor do que sou, sem competir com ninguém. Adoro o tapa na cara, a pedrada no meu telhado de vidro; a gota de álcool na ferida aberta. Assim posso deixar claro que me importo com as pessoas, mas que ninguém é mais importante do que eu mesma na minha vida. Que se estou ao lado de alguém ou a considero bastante, isso é apenas porque eu quero e não porque preciso. Que adoro ser como sou, adoro a minha liberdade de viver como achar melhor e de mudar algo quando eu - e somente eu - 
achar necessário e que sou capaz de fazê-lo. 


Adoro o gosto amargo da indiferença que veio quando eu esperei reciprocidade. Assim eu aprendi que devo tentar desafiar o instinto humano e amar , cuidar, me entregar e fazer o bem sem esperar nada de volta. Que os sentimentos são apenas seus e você pode ter, no máximo, a  sorte de ser correspondido ou receber gratidão. E que em meio as adversidades, eu ainda tento dar o melhor de mim e guardar o melhor que recebi de cada um.


Adoro notar a alegria espontânea quando alguém está comigo. Ah, você nem sabe, mas, ainda que nem se lembre, tempos depois ainda me sinto feliz por em algum momento na vida ter te arrancado um sorriso sincero e feito a diferença na sua vida, por mais que hoje isso não valha mais nada para você.

Adoro a saudade, aquela falta que alguém que roubou um pedacinho da nossa alma faz quando cisma em escapar pra onde nossos olhos e mãos humanas não podem tocar. Com ela aprendi a valorizar a presença, a parar de tentar alcançar o futuro e aproveitar o presente da melhor forma possível, pois essa é a semente para que o tal futuro venha a existir. Que o diálogo é fundamental, que devo dizer o que tenho vontade e que poderia fazer diferença, jogar tudo pro alto e tentar arrumar a casa antes que haja a partida.

Adoro todas as situações nas quais me dei conta que conseguia perceber a maneira correta como deveria agir ou lidar com elas, por mais que eu não fosse capaz de colocar em prática ainda. Isso me fez começar a parar de colocar a culpa das minhas frustrações em qualquer coisa além de mim, e de até gostar de me sentir a única responsável por elas, porque assim tenho a impressão de que, se conseguir agir diferente, da próxima vez poderei evitá-las. 




Adoro as tentativas e erros, as quedas e as rasteiras, porque é em virtude delas que hoje tenho a força de me levantar com as minhas próprias pernas. Adoro as vitórias, o sabor de saber que um dia acordei e resolvi tirar meus objetivos do plano dos sonhos, e agora com muito trabalho, esforço e dedicação, os alcancei. E que vou continuar alcançando. Adoro lembrar daquela mão amiga, que estava do lado para me segurar na hora que eu fraquejei. O incentivo e o suporte que me fizeram recobrar a segurança e a confiança em mim, e que me fazem me sentir querida. Adoro olhar para trás e ver que no momento crucial da escolha, racional ou intuitivamente, peguei a trilha certa. 
Adoro os acertos e as falhas, as experiências que trago na bagagem e me fazem ser quem sou. Adoro as minhas memórias. Adoro sentir que sou a única dona do meu destino, que posso fazer o que decidir fazer e ser quem eu  quiser ser. E que só eu sei o que vai dentro de mim, minha verdade e minhas intenções. E que isso me basta para ser feliz.


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quarta-feira, 4 de julho de 2012

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Nada embrulha mais o estômago do que o morno
Pessoas mornas, vidinha morna, café morno
Amor morno, então...
Sem paixão, sem tesão
Enjoa, dá ânsia de vômito
Gastura, desânimo

Eu quero mesmo é queimar em chamas
Brasa mansa não me serve, não
Eu quero é febre, insolação
O delírio desmedido
Ou estremecer inteira de frio
Congelando todos os sentidos
E no fim aquele arrepio
Assim caí bem também

Só não me venha na contramão
Com tanto faz, mais ou menos, contenção 
Porque eu corto, latejo, enlouqueço
Sou vibração
Porque o quase alguma coisa não é nada
E eu sou coisa demais pra caber dentro de frecha, brecha
Espacinho ou beirada

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011



E quem te disse, menina, que o amor é doce?
Pois não engana-te mais: o amor é ácido. Ácido forte.
Corrói tua pele, te deixa em carne viva, exposta, aberta em feridas.
Frágil e vulnerável.
Dissolve montanhas, distâncias, paredes de mármore e coração de gelo.
Sufoca, entrangula, mata.
Não tem sutilezas e nem permissões.
Atreve-se a queimar teu corpo sem o menor sinal de pudor ou culpa.
Não, em nada o amor lembra a leveza do mel
Mas os duros ferrões das abelhas!
E eis porque no rótulo de seu frasco deve pulsar a reomendação:
Perigo - Efeitos Colaterais. Dependendo da dose, pode ser fatal.

domingo, 17 de abril de 2011

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"Não se nasce mulher; torna-se." Simone de Beauvoir

Há algo mais plural do que uma mulher? É verdade, nenhum homem na face da Terra, mesmo que gastasse toda a sua vida a treinar, seria capaz de fazer outro homem parar de falar sobre aquele assunto com um olhar. E de demonstrar desejo com um outro diferente. E doçura com outro mais. Afinal, quantos olhares tem uma mulher? Quantas mulheres habitam o corpo feminino? Mesmo entre os que a conhecem mais profundamente, é difícil achar relatos coincidentes sobre uma mesma mulher. A segurança e independência que como um furacão surgem em alguns momentos, num piscar de olhos dão lugar a inconstância e fragilidade. Que mulher nunca sonhou em largar tudo e viver de amor? E de glamour? Quantos poetas tentam há séculos decifrar seus anjos e demônios? A força capaz de te levantar abruptamente do chão e o poder de dia a dia envolver sutilmente e apresentar o abismo? Se algum dia em alguma batalha céu e inferno se repartiram de alguma premissa comum, podemos decretar que de fato a mulher é a geradora universal... Há algo mais singular do que uma mulher?

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Brevidade

Tudo o que é artesanato me fascina.
Literatura, por exemplo.

Como qualquer produto de mãos humanas, ela é constituída de tudo o que influencia o homem e essas mãos que lhe tecem, de modo que me inquieta descobrir o mais entre as linhas e os pontos: O processo de criação, o tempo histórico, a fé, as dúvidas, o sentimento, as experiências, as agulhas tortas, o dedo calejado, o traçado esquisito ao escrever o S minúsculo...

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

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VERDADES UNIVERSAIS, ARGUMENTOS SUPERFICIAIS

Clichê, tolerância, hipocrisia, massa, mainstream, underground, alienação;
Senso crítico, senso comum, bom senso, conteúdo e manipulação.
Palavras cada vez mais repetidas em discursos tão persuasivos e tão... rasos.
Disformes, esvaziaram-se, tornaram-se ocos.

Críticas prontas para consumo imediato, tem para todos os gostos e nem precisa mastigar, só engolir de uma vez só:
A favor, contra, meio termo que é mais equilibrado;
e não é em cima do muro não, senhor.

O importante é ter uma opinião para chamar de 'minha'.
Não interessa por quantas mãos que redigiram, quantos olhos que leram e quantas bocas que proferiram ela passou antes de ser proclamada sua.

Idealizar, questionar, refletir, sentir, racionalizar, descobrir, concluir;
ser autor é processo lento e o tempo é corrido.

O inédito não tem tanta força, impacto.
Necessário é receber informação, quantidade para impressionar
Falar não se sabe o que, mas com propriedade e certeza, convicção e firmeza.

Nesse jogo de aparências que vivemos hoje, mostrar que está com a bola toda é convencer a vir para seu time o maior número de adeptos possível. Ou melhor, o maior número de repetidores seguros de uma lógica criada por outra mente qualquer.

Difícil é frear o ritmo, parar, fugir das teses prontas. O Mundo são pessoas vivendo experiências. Pessoas e experiências são únicas. O que os move também.
Tentar tocar o mais fundo, o pessoal, o particular, e não o generalizado;
o sentimento de quem vive, não de quem tenta traduzir ou rotular.
Tentar compreender além do útil. De dentro para fora e não de fora para dentro.

Já existem muitas explicações para tudo, quero é entrar em contato e perceber o que explica isso tudo que existe.
Alguém pode me estender a mão aqui embaixo?

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