quinta-feira, 26 de novembro de 2009

--

"O antigo relógio preso a parede da cozinha marcava exatamente 8:20 quando ouvi a campainha tocar. Pousei a xícara sobre a mesa, peguei as chaves e desliguei a TV que já berrava as rotineiras e nada empolgantes notícias matinais. Caminhei até a porta amaldiçoando a previsão do tempo dada no telejornal minutos atrás, enquanto a campainha soou impaciente mais algumas vezes. "A essa hora, o que poderá ser ? Talvez o porteiro com a correspondência." - Pensei. Subi nas pontas dos pés, já que as pantufas não me ajudavam a alcançar o olho mágico. Me deparei com aquelas madeixas oxigenadas, inconfundíveis em sua perfeição. Desci dos pés lentamente, atônita. As chaves fizeram barulho ao tocarem o chão. Black out. Minha mente, meu mundo girou. Ela parecia tão agitada e apreensiva. Eu estava tão surpresa e atordoada. She's back. Again."




Esse é o apêndice do livro que estou escrevendo.

--

domingo, 15 de novembro de 2009

--


Epifania



Se você nunca teve medo, você não é forte. Forte ou fraco define-se caso você aceite ou não os limites que seu medo te impõe. Afirmar não conhecer o medo é sinal de pura covardia. Covardia de admitir que se tem fraquezas, covardia de não arriscar, duvidar e superar, fazer escolhas.

A inércia te leva a apenas existir, a se deixar levar pelos ventos. Vive aquele que se questiona todo dia sobre aonde está e para onde está caminhando.

Amanhã certamente será tarde. Prudência e audácia são grandes virtudes. Maior que elas e mais rara de se ter é o dissernimento para escolher qual das duas usar em cada situação.

Se tens dúvidas, adiar só vai tornar mais difícil enxergar a melhor opção. Se tens certeza, faça tudo o que puder. Feito, sente-se e espere, com paciência, fé e confiança. Quem espera, alcança.

As oportunidades passam num estalar de dedos, basta um segundo para decidir desistir ou persistir, sem olhar mais para trás.

O que mais longe estamos indo procurar, ao nosso lado sempre esteve.

Não importa, o tempo simplesmente não vai voltar. Por isso, abra os olhos enquanto ainda há o que se fazer, pois nem o arrependimento, nem a dor, nem a saudade ou o mais forte dos sentimentos - o amor - poderá recuperar o que se permitiu partir.

A diferença entre ser importante e ser insubstituível se faz em pequeninos momentos. A diferença entre ser algo ou ser indiferente para alguém se faz em uma palavra, ou em uma atitude.

Cada um carrega pedaços próprios de lembranças. Você poderá dar um valor inestimável a coisas que ninguém mais no mundo dará a mínima.

Sua essência é o que te distingue. Mudar é natural, mudar por alguém é atentar contra si mesmo. Perder sua originalidade é perder a todos que te amam pelo que você é.

O Sol vem para todos, assim como as tempestades. Seus problemas não são maiores dos que os de qualquer outro e ninguém é tão feliz quanto aparenta.

Todos os travesseiros se enchem de lágrimas e fantasmas no escuro. As pessoas mais bonitas podem esconder marcas por baixo da pele. As que parecem ter tudo, as vezes são as mais vazias. Quem se vangloria demais, no fundo teme que descubram que é só mais um cheio de defeitos.

A solidão de estar num lugar cheio, na ausência apenas da exata pessoa com quem se queria estar é tão ou mais pertubadora do que estar trancafiado num quarto totalmente vazio.

Cabe a você - e somente a você - decidir pelo que vale a pena lutar e lutar até o fim. Quem valoriza alguém que não lhe dá valor, não terá valor para alguém que valoriza. Quem se anula, se humilha, implora por amor por um momento, o faz na esperança de viver milhares mais de momentos de felicidade ao lado de quem ama.

Na prática, o amor só importa pra quem o sente. Não interessa se você pensa 30 horas por dia nele, se seu coração dá um pulo cada vez que o telefone toca: se ele for correspondido, as pessoas te invejarão; se não for, sentirão apenas pena de você.

A vida é o nome dado a um conjunto de muitos dias, muitas horas, muitos minutos. Sendo assim, exalte sempre seus bons momentos, deixe os tristes de lado. Dessa maneira, quando parar para fazer um balanço geral, sentirá que tem uma vida feliz.

Você é o que pensa, o que sente, o que diz e o que faz. Um silêncio ou um grito marcarão você, há alguém a cada momento nos espiando e analisando. Impressões erradas não existem. Quem conclue algo sobre você, conclue em cima de algum gesto. Se concluem algo que não é verdadeiro, certamente você disse ou fez algo influenciado pelo meio externo, que não veio de dentro. Por isso, absorva o menos possivel do mundano, escute ao máximo seu coração.

Trace objetivos, permita a sua mente viajar por todos os seus sonhos, por todos os projetos que te fariam se sentir completo ao se realizarem durante sua vida. Entretanto, jamais se cobre alcançar a todas as metas. No caminho, ao priorizar algumas, estas tornarão inviáveis que as outras se cumpram.

Quanto mais se espera, mais se decepciona. Não se apegue a nada. Pessoas, situações e coisas facilmente se desapegarão de você. Esvazie sua mente, relaxe. Apenas sinta a vibração.

Felicidade, paz, plenitude: muitos querem, poucos sábios sabem realmente o que é e aonde procurar. Nas minúcias de um abraço, das pálpebras se fechando lentamente, de uma página de diário arrancada, de um fim de tarde esquecido, de um dia de chuva, de uma borboleta pousando em sua janela, estão todo o significado do Universo.

--

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

--


Irreplaceable


Cada pessoa é, certamente, insubstituível. Às vezes eu fico pensando nas muitas que passam por nós todos os dias; A maioria delas funciona como figurante em nossa história, como as pessoas que vemos (ou nem sempre) nas ruas por onde andamos, nos ônibus que pegamos. Outras permanecem e participam mais do nosso dia a dia, trocamos palavras na escola ou no trabalho, mas ainda sim elas vem e vão sem deixar nada marcante na gente. Mas quase nunca paramos para pensar que elas tem uma personalidade e uma história que não conhecemos e que, sem perceber, cada um de nós é também coadjuvante no filme da vida dos outros. Talvez até nas cenas principais. Quem sabe estivemos presentes no momento em que seus sonhos foram destruídos, em que elas questionavam todos os valores que as definiram até ali, que perderam alguém importante ou que encontraram um grande amor... Fazemos parte de tudo isso a todo momento, sem nem saber de verdade quem são aqueles, tudo o que passaram, como vivem, o que pensam e o que sentem.

Mas e se fossem exatamente essas pessoas que mudariam todo o curso da nossa vida ? E se fossem elas que com suas experiências, seu jeito de ser poderiam nos ajudar a enfrentar nossos problemas e nos fazer bem ? De todas as pessoas que vemos em nosso caminho diariamente, de quantas gravamos o rosto, conversamos ? Pouquíssimas. Com quantas mantivemos contato ? Nenhuma. (salvo raríssimas exceções) Isso não causa um medo ou, no mínimo, um sentimento de impotência de não poder conduzir seu próprio destino ?

De alguns bilhões de almas que existem no Mundo, cada uma é inquestionavelmente única. Não que haja alguém "perfeito" para outro alguém, mas e se as características que fazem das pessoas únicas fossem as qualidades que você mais valoriza, e os defeitos suportáveis para você ? E se as pessoas que deveríamos levar conosco passarem muito rápido, de maneira que não consigamos percebê-las ? E se elas nem passarem ? É suficiente e não os agoniza confiar apenas no acaso para mandar ou não as pessoas exatas que poderiam realmente dar uma virada na vida da gente e em que circunstâncias mandá-las ? Porque cada pessoa é, certamente, insubstituível...


--

domingo, 7 de junho de 2009

--

Talvez eu já conheça todas as suas caras

mas conheço ainda melhor sua boca.
Talvez um olhar e um sorriso seu para mim
digam mais do que cem mil poesias e canções de amor 
seriam capazes de dizer.

Talvez as pessoas nunca entendam

Eu & Você
Reações químicas
tato, olfato, sexto e sétimos sentidos.
Magnetismo, questão mística e indecifrável.

Talvez seja por instinto que despertas o que há de melhor em mim.

Como você, beleza é me parece um dom banal
dado a tudo e a todos.
Voce me colore, me revive
Brinca de esconder com meus medos e sempre os vence.

Talvez eu não devesse ser tão vulnerável a ti.

Você me conhece inteiramente, coração e mente.
Me tornei um livro aberto, rápida e cegamente.
E agora é assustador o poder que tens sobre mim:
uma palavra faz tão bem, faz tão mal.

Talvez eu esqueça tudo o que me disse e o que me fez.

Talvez eu esqueça até o quanto te amei.

Mas 
o inesquecível mesmo é o arrepio 
quando sinto seu corpo perto do meu
A alegria saltando no peito quando te vejo chegar
E todas as noites pensando em não pensar em você
e logo, pensando.

Isso não dá para esquecer

passe o tempo que passar
venha quem vier
aconteça o que acontecer.


Pois são marcas no coração, na alma, nas lembranças
que levamos até as nuvens.






Especial dia dos namorados !
A blogueira do You In My Way deseja a todos os leitores muuuuito amor nesta data e em todos os dias de suas vidas *-*


--

sexta-feira, 29 de maio de 2009

--


" Ei medo, eu não te escuto mais, você não me leva a nada..."




Quando eu era bem pequena, eu tinha medo do escuro. Mas não era um medo normal, de criança: era um pânico mesmo, só dormia de luz acesa. E quando faltava luz, era uma loucura aqui em casa. Então meus pais me levaram na psicóloga, ela me fez ler um livrinho, O GUIA DA CORAGEM DIÁRIA. Tenho ele até hoje.

Depois, maiorzinha, eu tinha medo de ficar sozinha. Ainda tenho um pouquinho até hoje, mas de um jeito diferente. Agora, eu tenho medo de ficar sozinha na vida, e não num ambiente.

Hoje, são muitos os medos. Além do de ficar sozinha. De não realizar meus sonhos. De não me realizar profissionalmente. De não ser feliz. De não ter um amor de verdade, como eu sempre sonhei. Muitos medos...

Ter medo é uma faca de dois gumes. Pode ser natural e bom, impõe limites. Mas se a dose for grande, pode intorpecer e te paralizar, você não vive porque tem medo de arriscar. E quem não arrisca, não petisca. Quem não petisca, passa pela vida sem nada, só com o medo.

Para lutar contra isso é preciso MUITA força. Só quem tem sabe o poder que seus medos exercem sobre si. E é exatamente daí que você deve tirar forças para não ser dominado. Afinal, sua vontade de ser feliz é maior do que o medo de enfrentar seus medos, não é ? E acredite, não há convivencia fraternal entre as loucuras, as escolhas que temos que fazer na nossa vida e nossos medos. Ou você deixar um de lado ou mata o outro.

Imagine se eu nunca tivesse tido coragem de ficar sozinha, sem ninguém por perto. Imagine se eu não tivesse insistido, mesmo com aquele frio na barriga no começo e a vontade de sair correndo ao encontro da minha mãe, alguma vez: eu nunca teria conseguido descobrir e aperfeiçoar meus maiores dons: sentir, pensar e escrever...


--

sábado, 23 de maio de 2009

--

Refletindo sobre... PALAVRA


A primeira vista, seria cabível imaginar as palavras como estruturas bem limitadas. Afinal, cada uma delas toma um sentido particular na hora de cumprir sua função de comunicar: em termos de abrangência, uma é mais ou menos específica que outra no que almeja retratar; Em termos de intensidade, às vezes a palavra não consegue exprimir o quanto sentimos e por outras manifestam a mais. Com o mal uso de apenas uma palavra, o que era para ser apenas brincadeira pode parecer sério, e vice-versa. Por todos esses fatores, às vezes quando tentamos dizer algo e falta à mente aquela palavra, temos a sensação de que os sinônimos não dão conta do sentido exato que queremos passar. Logo, quanto mais palavras, mais recursos para tentarmos expressar da melhor maneira nossos pensamentos, na intensidade que estamos pensando, da forma que queremos transmitir. Os possuidores do chamado “dom da palavra”, a retórica, conseguem construir seu discurso com uma seleção vocabular muito específica, estruturada na coerência, coesão e ordem lógica das idéias, de forma a ser extremamente claros, precisos e compreensíveis no que dizem, dando ao ouvinte ou leitor a mínima margem possível de fuga ao que querem expressar.

Mas as palavras podem também ser traiçoeiras, se considerarmos os diversos sentidos que podem assumir, dependendo do contexto, da entonação, da linguagem corporal que as acompanha e, em última estância, da interpretação individual. Quando lemos, ou escutamos determinada frase, lemos e escutamos conforme o que há em nós, com todo nosso conhecimento prévio, ou com a falta dele; com a expectativa do que acreditamos que poderá vir daquela fala, daquele narrador. Com nossos sentimentos sobre quem fala, ou sobre o tema que fala. Com nossas experiências passadas. Daí derivaria tal importância de escolher sempre as palavras que se restrinjam ao máximo ao sentido que desejamos passar com elas, para que não gere falha na comunicação.

Entretanto, no outro lado da moeda dessa questão está a Literatura, que é a arte de usar propositalmente esse poder da palavra de ser camaleônica; de conter uma gama de sentidos, de nuances; de ser ampla, abstrata e pessoal para poetizar, para deixar uma porta entreaberta nessas palavras, nas frases e mesmo no desfecho para caber todo pensar e todo sentir. A Literatura vai na direção contrária do rotineiro ao tentar buscar no fundo do baú das palavras as que forem constituídas do maior número de faces possível e poli-las de forma a se encaixarem umas nas outras, gerando múltiplas visualizações. Assim ela passa a ser construída além de por quem escreve por quem lê também.



Ao pensarmos palavra com um pouco mais de cuidado sentimos que ela não é etérea. As palavras têm peso, têm forma, têm força de transformação. Transformam o que é no que não é. Iludem, confortam, ferem, surpreendem, conquistam, libertam, comprometem, manipulam. As palavras são vazias quando travam uma relação de contradição com as ações, ou quando de tão repetidas, esvaziam-se de seu sentido, pois todos, de tanto escutá-las, não consideram mais refletir sobre. São bonitas e feias pela harmonia sonora entre os fonemas quando ditas, ou pela harmonia visual entre os caracteres seguidos que juntos as formam. Podem também assim ser classificadas pelo que descrevem: palavras que falam sobre bons sentimentos, por exemplo, são consideradas bonitas; as que representam algum tipo de dor, perigo ou situação desgostosa, são feias e evitadas. As palavras quando musicalizadas ganham melodia e ritmo. Delatam os subgrupos contidos em um grupo – são as gírias e os jargões. Constroem uma escala de status entre elas, onde na base estariam as palavras ditas ‘de baixo calão’, pejorativas, até o topo, onde estariam palavras desconhecidas e pouco proferidas. Há também um status das pessoas em relação às palavras, que é diretamente proporcional as palavras que usam. Ou seja, se usam da base da escala são consideradas vulgares, rudes, obscenas; do topo, são pessoas articuladas, cultas, refinadas. Ganham textura quando falamos em palavras ásperas. Algumas vezes ainda mantêm uma curiosa relação entre seu sentido e sua construção gráfica: a palavra pequeno é maior que a palavra grande. Talvez porque se houvesse uma relação entre o tamanho da palavra e o que ela representa, precisaríamos de outro Infinito para representá-lo.

A palavra pesa porque quando dita, ou quando mantida em segredo, em silêncio, constrói ou destrói tudo no mundo. As palavras que dizem ‘sim’ ou ‘não’, ‘vai’ ou ‘quero que fique’, ‘te amo’ ou ‘te odeio’ ou a ausência dessas palavras podem ser as responsáveis por uma morte, por uma historia de amor, por uma guerra, por uma fuga. Ditas ou caladas, elas expressam nossas escolhas, impulsivas ou muito pensadas, motivo de arrependimento ou orgulho futuro. Palavras e silêncios têm conseqüências práticas no mundo, são as ferramentas que constroem nosso caminho, nossa vida.

É interessante então pensar nas palavras a partir da vista de uma criança que está começando a aprendê-las. Ela inventa nomes para falar das coisas, baseando-se no que ela consegue captar dos conceitos pré-estabelecidos que os outros pronunciam. E às vezes, ao pronunciar duas sílabas na ordem contrária, ou uma letra errada, os transforma em outras palavras com um sentido totalmente diferente, provando que as palavras que são tão grandiosas, tão amplas, tão cheias de poderes e capazes de tanto no mundo, são também coisas muito frágeis, partidas por linhas bem tênues, e assim como a maioria das coisas do Universo, imersas em mistérios e contradições.


--

domingo, 26 de abril de 2009

--


E a maior descoberta do homem não foi o fogo
E nem a Lua
E nem a roda
E nem essa sua artéria chamada Aorta
Mas a verdade cantada pelo poeta
O que há séculos procuramos sem cessar
para nos completar
Não está pelo ar
Nem no fundo do mar
Nem ao alcance de um satélite estrelar
Está aqui dentro do peito
E se traduz no verbo Amar





--

sábado, 25 de abril de 2009

--

Parece uma pintura, não é ? Essa foto é realmente linda, é de uma amiga minha que tirou da janela da casa dela a tardinha... O céu sempre me facinou... Essa multitonalidade dele é tão enigmática que me lembra a mim, com minhas mil cores e nuances a serem desvendadas .


Aqui vai um textinho antigo, que escrevi faz tempo...


Queriα ter demorαdo mαis α me entregαr α quem logo chegou e virou minhα αlmα αo αvesso. Queriα poder decifrαr pessoαs que nuncα consegui compreender. Queriα que você me entendesse. Queriα ter sido sempre eu mesmα. Queriα ter te mostrαdo tudo o que eu poderiα ser e ter te encαntαdo com αo menos um desses meus jeitos. Queriα mαis umα chαnce prα tentαr fαzer dαr certo. Queriα começαr de novo, e de outrα mαneirα. Queriα ser mαis forte. Queriα não ter perdido um diα inteiro com coisαs bobαs. Queriα já ter αprendido αlgumαs lições. Queriα de αlgumα mαneirα ter ensinαdo αlgo α cαdα um. Queriα que ninguém pαssαsse sem me deixαr coisα αlgumα. Queriα ter mαrcαdo α vidα de todos que αmo. Queriα ter dito e não disse. Queriα não ter feito e fiz. Queriα ter tido mαis corαgem. Queriα não ter αgido por impulso. Queriα ter visto o futuro αntes de viver o presente. Queriα ter visto αs conseqüênciαs αntes de αgir. Queriα ter feito αs escolhαs certαs. Queriα não ter decepcionαdo quem esperαvα muito mαis de mim. Queriα não ter mαgoαdo ninguém. Queriα não ter αmαdo tαnto, e tαntos. Queriα não ter me deixαdo conquistαr tão rápido. Queriα não gritαr em silêncio pelo seu αbrαço todα vez que meu mundo vem αo chão. Queriα não me preocupαr com pessoαs que não vαlem α penα. Queriα não me αpegαr αs pessoαs tão fαcilmente. Queriα não estαr chorαndo por você αgorα. Queriα ter confiαdo mαis em mim mesmα. Queriα ter pulαdo, cαntαdo, sorrido, αbrαçαdo, sonhαdo, αchαdo o céu bonito, corrido αtrás do que eu quero, sem me preocupαr com o que os outros iriαm pensαr de mim. Queriα que α vidα não levαsse tão depressα tudo por que sempre dediquei minhαs mαiores lutαs. Queriα que elα não te levαsse de mim. Queriα não ter que ir emborα αgorα. Queriα poder te pedir pαrα me dαr α mão e vir comigo. Queriα αpenαs poder dizer que vαmos estαr juntos prα sempre. Queriα αpenαs não ter αprendido que em meio α isso tudo α vidα pαssα e esse nosso prα sempre um diα sempre αcαbα




--

quinta-feira, 23 de abril de 2009

--


" When you get what you want but not what you need... "

 Há pouco tempo, por circunstâncias da vida, eu mudei bruscamente de ares. Em vez do subúrbio, eu comecei a passar a maior parte do meu dia na zona mais rica da cidade. E notei muita gente que tem tudo, TUDO MESMO (materialmente falando) sendo muito invejada (e bajulada, ecat !) por todo o resto dos 90% que não tem tudo que eles (aparentam) ter. É óbvio que é muito bom poder ter o celular que te oferece mais recursos tecnológicos, o carro que te traz maior comodidade, poder vestir tudo o que quiser e gostar. Quem me dera poder comprar todos os vestidos da Afghan ! Mas EU invejar essas pessoas pelo seu lindo cartão de crédito ? NÃO MESMO ! Eu invejo é a minha prima Angélica de 5 anos e o êxtase de felicidade que ela consegue alcançar ao ver minha varinha de condão que eu comprei no camelô aqui perto por 2 reais, que ela acredita fazer com que ela se torne uma fada. E eu entro com ela na brincadeira, finjo que acredito, ponho-a pra voar levantando-a no meu colo, corro pela casa procurando os duendes... E quanto aquelas pessoas, será que só eu que, ao olhar pra maioria pelo menos, vejo claramente que ao deitarem a cabeça no travesseiro eles devem ter muitos motivos pra chorar ? Gente que no fundo é vazia, cheia de falhas morais e buracos enormes de necessidades sentimentais. Gente feia por dentro, apesar de toda aquela beleza exterior e ostentação.

Óbvio que não são todos assim, tem tanta gente aí que lutou a beça a vida toda, conquistou um padrão de vida altíssimo com muita dignidade e é super bem resolvida, feliz de verdade. Mas esses com certeza sabem que o bem maior não é o dinheiro, e sim coisas bem mais simples. Estou falando da maioria, do que ando vendo... E bem pior do que as próprias pessoas perdidas e estragadas em meio ao esbanjamento de dinheiro, são as pessoas que nutrem inveja delas ! Pois, se inveja é a chamada fome da alma, imagine o que seria a inveja de coisas materiais: uma alma faminta de bens palpáveis e perecíveis, o que, para mim é desvio forte de caráter. Nos leva a todo aquela futilidade, a busca a todo custo por coisas que não são essenciais. Dinheiro não compra pessoas. Tá, pode até comprar, mas não nesse sentido que eu estou falando. Não compra nenhuma espécie de sentimento. Nem amor, nem felicidade, compreensão, nem tranquilidade. E é isso sim é essência.

Quando la plata conseguir me fazer realmente acreditar que a pequena Angélica é uma fadinha, que estamos mesmo voando e correndo atrás dos duendes (como quando eu era criança...) , quando eu não tiver apenas que fingir sentir tudo isso, aí sim talvez eu possa ver algum motivo para invejar esses riquinhos aí...

--

quarta-feira, 22 de abril de 2009

--


" Tem momentos na vida em que fazemos acrobacias com os nossos sentimentos e quase perdemos o equilíbrio. Então, percebemos que nossos amigos são como nossa rede de segurança e assim, podemos nos lançar com mais confiança na arena do circo, que é a vida. "


Faltam 5 dias prao meu aniversário de 15 anos. Na verdade, não fico muito animada com isso de festa, comemoração não. Óbvio que eu gosto da idéia de estar com meus amigos, dançar, etc. E óbvio que, como não sou hipócrita, sei que um terço das pessoas que estão lá são aqueles parentes distantes que você nem lembra, e outros mais que só vão pra comer da sua comida e vir como de praxe com os : 'parabéns, como você está linda, muita saúde e paz' sem nem saber o que está falando, sem nem sequer realmente desejar aquilo a você.


Também não me comovo com essa história de ' Oh, a menina vira mulher'. É meio estúpido você achar que um dia antes você acorda criança, pensamentos de criança, desejos de criança e no dia seguinte, só porque é seu aniversário, você acorda mulher, atitudes de mulher, maturidade de mulher. Isso é uma fase longa, que envolve experiências que a gente vai passandoe que, tenho certeza, não vai se consumar daqui a 5 dias para mim.


Mesmo diante disso tudo, continuto agitada. Não agitada por fora, isso não teria como não estar, porque festa envolve comentários, preparativos dos amigos e família. Mas ando agitada aqui dentro. Um turbilhão de sentimentos e sensações que não páram ( dane-se a reforma ortográfica, não consigo escrever pára sem acento! ) nem quando estou deitada, em silêncio. A inquietação maior é em pensar nesse momento como uma oportunidade única de olhar pra trás e ver tudo por que passei, e ter orgulho de ver o que me tornei e as pessoas que eu conquistei.


Desde muito pequena sempre tive um instinto maternal aflorado, meu maior sonho era poder ter uma família como a minha. Meus pais me deram uma educação muito rígida, e ao contrário da maioria eu agradeço por isso. Todo ensinamento vindo deles passou por uma peneira interna minha e hoje se reflete em todas as minhas atitudes e no me caráter. Por isso hoje eu me valorizo tanto e sempre quis encontrar pessoas que me valorizassem por isso que eu sou. Eu cresci em um meio em que eu tinha muito mais exemplos do que eu não queria ser do que sobre o que eu gostaria de me tornar. Eu queria um grande amor, história pra contar. Eu queria saber coisas interessantes, entender, ajudar as pessoas. Ouvir músicas que me dessem um aperto gostoso no coração. Eu queria ter na minha alma a minha parte criança para sempre, por mais que a cada diz isso se trne mais difícl pelas decepções que a vida nos impõe. Eu queria ter o brilho nos olhos e alegrar a cada um que passasse por mim durante meu dia. Eu queria chegar de noite e ter tantas coisas pra lembrar sobre o dia, com o sorriso no rosto, que nem desse tempo pra eu ter medo do escuro. Eu queria, me sentir completa e amada.
Não vou mentir e dizer que nunca foi assim. Teve época que era assim mesmo que eu me sentia. Que eu podia tudo, que eu estava segura pra sonhar, que eu tinha as pessoas que eu amava do meu lado e então tudo estava bem. Mas, as mudanças vêm (e como eu autêntica taurina, odeeeeeio mudanças) e invertem tudo dentro de você. Como eu já disse anteriormente, as pessoas criam uma idéia sobre mim logo de primeira que depois é difícil de mudar. Eu sou muito tímida, só consigo em soltar se me sinto aceito no meio, segura pra ser quem eu sou. Senão, me fecho no meu mundo e pronto. Em um determinado momento, eu me senti totalmente sozinha, sem nenhum nome para chamar enquanto eu e meu coração chorávamos. Eu vegetei durante um longo tempo, sem aquela alegria que contagiava a todos, comigo mesma presa dentro de mim. Por fora só uma casca que nada fazia, não expressava gosto, opinião nem vontade e nem se quer se defendia daqueles que só falavam mal de mim e me faziam mal. Mas novamente tudo muda e eu tinha que recontruir a mim mesma, agora mais madura e mais forte pela dor. E assim se fez. E é engraçado pensar que as pessoas que me conheceram naquela época não acreditariam ao me ver hoje, e como as pessoas do meu presente não acreditariam e nem teriam dimensão de como eu estava naquela época. É meio como uma dupla personalidade, mas onde aquela segunda hoje só serve para me dar coragem a cada mudança que vem, de lutar contra mim mesma e esse meu medo de não ser aceita, essa minha timidez tão dependente do meio onde estou inserida. Só me dá coragem pra lutar para que ela continue guardada numa caixinha dentro de mim e nunca mais volte.


Essa minha necessidade de intensidade, o que eu considero como uma das minhas características mais marcantes, é a causa de tudo isso. Muita gente acha que não é possível que eu tenha me permitido 'deixar de viver' durante aquele período só por não ter sido aceita nos grupos em que vivia. Mas eu sou assim, não poderia impôr-me, então preferia me guardar pra mim em sofrimento do que mudar para ser aceita. Jamais mudaria por algo ou alguém que não seja eu mesma. Eu preciso viver daquele ápice, todas aquelas sensações, da segurança, do me sentir completa, de que me amam como EU SOU. Senão não vivo. Não vivo mesmo. Racionalmente sei que é uma tática suicída, mas eu sinto isso, evitar como ? Se eu seria capaz de fazer qualquer coisa pela minha família, se eu não mediria esforços e enfrentaria todas as consequências meus (poucos) amigos, se eu me entregaria totalmente por um amor... Como vou aceitar que as pessoas não correspondem da mesma maneira ? Como não vou achar que eu não sou amada na mesma proporção que amo ? Hoje eu sei que é verdade mesmo, na maioria das vezes eu não sou amada como amo. Mas o erro é meu. Meu pecado é me entregar demais, me apegar demais, me doar demais, amar demais.

Por isso é tão importante poder olhar ao redor e ver que ainda há pessoas por quem me apeguei tão facilmente (como sempre haha) e que vejo em pequenos atos que tentam de todas as formas retribuir todo esmero que dedico a eles, que querem o meu bem de verdade, que me amam e querem me ver feliz. Pessoas que querem fazer com que eu me sinta sempre pronta para voar e desafiar quem ou o que quer que seja com esse meu jeito de ser estampado na alma, e no rosto. Sim, são poucas pessoas, mas quem se importa ? Eu sempre preferi qualidade a quantidade...


--

terça-feira, 21 de abril de 2009

--




Contando estrelas




Eu olho lá pra fora e vejo tanta gente grande e poderosa que me sinto pequena demais, inocente demais para ter uma mínima chance de sobrevivência. Mas quando olho aqui pra dentro vejo tanto amor, tanta vontade de ver todo mundo feliz, e em paz, que tenho vontade de continuar acrditando num futuro brilhante e nessa menininha que eu ainda sou...

-

Não resisti a fazer um segundo post hoje...

Tá friozinho, chuva e eu não consigo parar de ouvir Ana Júlia, dos Los Hermanos, gente.
Essa música, apesar de bem bobinha e comercial, me dá mó sentimento bom, a melodia da introdução, sei lá. E a poesia letra  fala de uma situação que eu acho que todo mundo já passou ou passará, então traz muitas lembranças... Sem contar que fazia muito sucesso quando eu era bem pequena, e ai que dá a maior nostalgia meeesmo. *-*

Pra quem quiser relembrar também, o clipe tá ai:
http://www.youtube.com/watch?v=-PArDXQX-4M

--
--

"Sou temperamental : Grito, choro, esperneio, faço bico, me revolto, xingo, bebo, rio, extravaso, mas tenho personalidade acima de tudo. Deve ser por isso, que deixo saudades por onde eu passo..."

Ás vezes eu sinto que estou sendo julgada a cada momento. Se estou a 10 minutos em um novo lugar, não muito além da minha visão periférica (péssima, por sinal) já existem pessoas avalianda o meu jeito e minha maneira de agir. Comentários como: ''ela me perguntou como você é aqui com a gente, porque ela te achou meio fresca...'' , '' ele disse que te acha meio forçada...", "quando te conheci te achava muito metida'' são muito comuns comigo. Apesar de eu não enxergar um motivo aparente (e cresci me perguntando, questiando o porquê disso), sempre é assim. Não importa o quão simpática ou altruísta eu tente ser: ou me odeiam de cara ( e muitas vezes para sempre ! ) ou passam a me amar loucamente com o tempo. Não há quem fique indiferente em relação a mim, não dá para ficar no tanto faz. E isso reflete muito da minha personalidade. Extremamente intensa, eu preciso viver, sentir tudo ao máximo. Preciso de emoção, sentimentos extremos senão me sinto morna, morta. E essa urgência passional possui efeitos colaterais perigosíssimos...

Aqui, nesse espaço que estou abrindo hoje, não pretendo narrar o meu cotidiano, mas escrever sobre os sentimentos comuns de uma adolescente a partir da minha maneira de vê-los e senti-los, e sobre outros não tão comuns que surgem no meu vasto mundo intrspectivo, em meio as mudanças e situações que eu me deparo por aí, e que eu só consigo expressar por meio dos meus textos. Além de, claro, contar aquelas coisinhas que acontecem com a gente que nos deixam com vontade de sair saltitando por aí e contar a cada um, hahaha [: Será como um diário mais abrangente. Quem por algum acaso chegar aqui vai se deparar com opiniões fortes de uma menina que aprendeu a gostar de não ser como a maioria, relatos sobre passado, presente e futuro sob uma pespectiva própria, com o meu jeito único de pensar, que agora você vai julgar. Sem trejeitos ou aparencia física, aqui só vale o que tem dentro da cabeça e do coração, tudo exposto por meio das palavras. Quem dera a vida fosse assim...



--