quarta-feira, 22 de abril de 2009

--


" Tem momentos na vida em que fazemos acrobacias com os nossos sentimentos e quase perdemos o equilíbrio. Então, percebemos que nossos amigos são como nossa rede de segurança e assim, podemos nos lançar com mais confiança na arena do circo, que é a vida. "


Faltam 5 dias prao meu aniversário de 15 anos. Na verdade, não fico muito animada com isso de festa, comemoração não. Óbvio que eu gosto da idéia de estar com meus amigos, dançar, etc. E óbvio que, como não sou hipócrita, sei que um terço das pessoas que estão lá são aqueles parentes distantes que você nem lembra, e outros mais que só vão pra comer da sua comida e vir como de praxe com os : 'parabéns, como você está linda, muita saúde e paz' sem nem saber o que está falando, sem nem sequer realmente desejar aquilo a você.


Também não me comovo com essa história de ' Oh, a menina vira mulher'. É meio estúpido você achar que um dia antes você acorda criança, pensamentos de criança, desejos de criança e no dia seguinte, só porque é seu aniversário, você acorda mulher, atitudes de mulher, maturidade de mulher. Isso é uma fase longa, que envolve experiências que a gente vai passandoe que, tenho certeza, não vai se consumar daqui a 5 dias para mim.


Mesmo diante disso tudo, continuto agitada. Não agitada por fora, isso não teria como não estar, porque festa envolve comentários, preparativos dos amigos e família. Mas ando agitada aqui dentro. Um turbilhão de sentimentos e sensações que não páram ( dane-se a reforma ortográfica, não consigo escrever pára sem acento! ) nem quando estou deitada, em silêncio. A inquietação maior é em pensar nesse momento como uma oportunidade única de olhar pra trás e ver tudo por que passei, e ter orgulho de ver o que me tornei e as pessoas que eu conquistei.


Desde muito pequena sempre tive um instinto maternal aflorado, meu maior sonho era poder ter uma família como a minha. Meus pais me deram uma educação muito rígida, e ao contrário da maioria eu agradeço por isso. Todo ensinamento vindo deles passou por uma peneira interna minha e hoje se reflete em todas as minhas atitudes e no me caráter. Por isso hoje eu me valorizo tanto e sempre quis encontrar pessoas que me valorizassem por isso que eu sou. Eu cresci em um meio em que eu tinha muito mais exemplos do que eu não queria ser do que sobre o que eu gostaria de me tornar. Eu queria um grande amor, história pra contar. Eu queria saber coisas interessantes, entender, ajudar as pessoas. Ouvir músicas que me dessem um aperto gostoso no coração. Eu queria ter na minha alma a minha parte criança para sempre, por mais que a cada diz isso se trne mais difícl pelas decepções que a vida nos impõe. Eu queria ter o brilho nos olhos e alegrar a cada um que passasse por mim durante meu dia. Eu queria chegar de noite e ter tantas coisas pra lembrar sobre o dia, com o sorriso no rosto, que nem desse tempo pra eu ter medo do escuro. Eu queria, me sentir completa e amada.
Não vou mentir e dizer que nunca foi assim. Teve época que era assim mesmo que eu me sentia. Que eu podia tudo, que eu estava segura pra sonhar, que eu tinha as pessoas que eu amava do meu lado e então tudo estava bem. Mas, as mudanças vêm (e como eu autêntica taurina, odeeeeeio mudanças) e invertem tudo dentro de você. Como eu já disse anteriormente, as pessoas criam uma idéia sobre mim logo de primeira que depois é difícil de mudar. Eu sou muito tímida, só consigo em soltar se me sinto aceito no meio, segura pra ser quem eu sou. Senão, me fecho no meu mundo e pronto. Em um determinado momento, eu me senti totalmente sozinha, sem nenhum nome para chamar enquanto eu e meu coração chorávamos. Eu vegetei durante um longo tempo, sem aquela alegria que contagiava a todos, comigo mesma presa dentro de mim. Por fora só uma casca que nada fazia, não expressava gosto, opinião nem vontade e nem se quer se defendia daqueles que só falavam mal de mim e me faziam mal. Mas novamente tudo muda e eu tinha que recontruir a mim mesma, agora mais madura e mais forte pela dor. E assim se fez. E é engraçado pensar que as pessoas que me conheceram naquela época não acreditariam ao me ver hoje, e como as pessoas do meu presente não acreditariam e nem teriam dimensão de como eu estava naquela época. É meio como uma dupla personalidade, mas onde aquela segunda hoje só serve para me dar coragem a cada mudança que vem, de lutar contra mim mesma e esse meu medo de não ser aceita, essa minha timidez tão dependente do meio onde estou inserida. Só me dá coragem pra lutar para que ela continue guardada numa caixinha dentro de mim e nunca mais volte.


Essa minha necessidade de intensidade, o que eu considero como uma das minhas características mais marcantes, é a causa de tudo isso. Muita gente acha que não é possível que eu tenha me permitido 'deixar de viver' durante aquele período só por não ter sido aceita nos grupos em que vivia. Mas eu sou assim, não poderia impôr-me, então preferia me guardar pra mim em sofrimento do que mudar para ser aceita. Jamais mudaria por algo ou alguém que não seja eu mesma. Eu preciso viver daquele ápice, todas aquelas sensações, da segurança, do me sentir completa, de que me amam como EU SOU. Senão não vivo. Não vivo mesmo. Racionalmente sei que é uma tática suicída, mas eu sinto isso, evitar como ? Se eu seria capaz de fazer qualquer coisa pela minha família, se eu não mediria esforços e enfrentaria todas as consequências meus (poucos) amigos, se eu me entregaria totalmente por um amor... Como vou aceitar que as pessoas não correspondem da mesma maneira ? Como não vou achar que eu não sou amada na mesma proporção que amo ? Hoje eu sei que é verdade mesmo, na maioria das vezes eu não sou amada como amo. Mas o erro é meu. Meu pecado é me entregar demais, me apegar demais, me doar demais, amar demais.

Por isso é tão importante poder olhar ao redor e ver que ainda há pessoas por quem me apeguei tão facilmente (como sempre haha) e que vejo em pequenos atos que tentam de todas as formas retribuir todo esmero que dedico a eles, que querem o meu bem de verdade, que me amam e querem me ver feliz. Pessoas que querem fazer com que eu me sinta sempre pronta para voar e desafiar quem ou o que quer que seja com esse meu jeito de ser estampado na alma, e no rosto. Sim, são poucas pessoas, mas quem se importa ? Eu sempre preferi qualidade a quantidade...


--

6 comentários:

ameninamulher disse...

Oi Rebeca, achei teu blog numa comunidade no orkut. E fiquei maravilhda com tuas palavras e ainda mais por ser uma menina de apenas 15 anos. Quer dizer, ainda com 14 anos.
Você escreve bem demais, além de mostrar nesse teu texto, ter uma cabeça fantástica, uma maturidade que gente bem mais velha não chega nem perto de ter.
Muito linda a forma que você escreve, parabéns.
Beijos,
Luciana

Lu Andrade disse...

Querida, eu sei do que tas falando!
Sabe essa história de que muda tudo depois dos 15? é tudo relativo, vai de você querer mudar e amadurecer.
Eu sempre tive um pequeno problema, quer dizer, não tive, eu tenho 15 anos, mas é como se eu fosse mais velha, entende? eu tenho 15 e as pessoas perguntam? Lu tu ainda tem 15? :S
E eu sou feliz com meus 15, mas talvez eu nunca tive a oportunidade de viver como uma menina de 14 anos. Mas aproveita, porque é diferente, querendo ou não, tu dentro d eti, lá no interior, onde ninguém alcança e você não precisa contar para ninguém, sente vibrações de alegria, e um medinho do que esta por vir, mas te garanto é tudo muito bom.
Beijos e seja feliz.

Carol Oliveira disse...

Ei Rebeca te achei numa comunidade do orkut, e passei pra te visitar. Adorei seu texto.
E já vou abusar, como vc colocou música no seu blog? Dá uma passadinha lá no meu , ele é novinho mas aos poucos ele vai ficando minha cara. Até mais.

Ana Paula Moreira disse...

Muito bacana seu texto. Você escreve muito bem. Parabéns pelo blog. Sucesso pra vc!

orlando83 disse...

Escreves muito bem, continua ;)
Beijo

nira. :) disse...

aaaadorei seu texto!