quinta-feira, 23 de abril de 2009

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" When you get what you want but not what you need... "

 Há pouco tempo, por circunstâncias da vida, eu mudei bruscamente de ares. Em vez do subúrbio, eu comecei a passar a maior parte do meu dia na zona mais rica da cidade. E notei muita gente que tem tudo, TUDO MESMO (materialmente falando) sendo muito invejada (e bajulada, ecat !) por todo o resto dos 90% que não tem tudo que eles (aparentam) ter. É óbvio que é muito bom poder ter o celular que te oferece mais recursos tecnológicos, o carro que te traz maior comodidade, poder vestir tudo o que quiser e gostar. Quem me dera poder comprar todos os vestidos da Afghan ! Mas EU invejar essas pessoas pelo seu lindo cartão de crédito ? NÃO MESMO ! Eu invejo é a minha prima Angélica de 5 anos e o êxtase de felicidade que ela consegue alcançar ao ver minha varinha de condão que eu comprei no camelô aqui perto por 2 reais, que ela acredita fazer com que ela se torne uma fada. E eu entro com ela na brincadeira, finjo que acredito, ponho-a pra voar levantando-a no meu colo, corro pela casa procurando os duendes... E quanto aquelas pessoas, será que só eu que, ao olhar pra maioria pelo menos, vejo claramente que ao deitarem a cabeça no travesseiro eles devem ter muitos motivos pra chorar ? Gente que no fundo é vazia, cheia de falhas morais e buracos enormes de necessidades sentimentais. Gente feia por dentro, apesar de toda aquela beleza exterior e ostentação.

Óbvio que não são todos assim, tem tanta gente aí que lutou a beça a vida toda, conquistou um padrão de vida altíssimo com muita dignidade e é super bem resolvida, feliz de verdade. Mas esses com certeza sabem que o bem maior não é o dinheiro, e sim coisas bem mais simples. Estou falando da maioria, do que ando vendo... E bem pior do que as próprias pessoas perdidas e estragadas em meio ao esbanjamento de dinheiro, são as pessoas que nutrem inveja delas ! Pois, se inveja é a chamada fome da alma, imagine o que seria a inveja de coisas materiais: uma alma faminta de bens palpáveis e perecíveis, o que, para mim é desvio forte de caráter. Nos leva a todo aquela futilidade, a busca a todo custo por coisas que não são essenciais. Dinheiro não compra pessoas. Tá, pode até comprar, mas não nesse sentido que eu estou falando. Não compra nenhuma espécie de sentimento. Nem amor, nem felicidade, compreensão, nem tranquilidade. E é isso sim é essência.

Quando la plata conseguir me fazer realmente acreditar que a pequena Angélica é uma fadinha, que estamos mesmo voando e correndo atrás dos duendes (como quando eu era criança...) , quando eu não tiver apenas que fingir sentir tudo isso, aí sim talvez eu possa ver algum motivo para invejar esses riquinhos aí...

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3 comentários:

rafaelgrecco disse...

Gosteii da introspecção...

Taa apaixonada??


se deer

http://rafaelgrecco.wordpress.com

Bjus.

Lucas Mora disse...

espero que voce nunca inveje esses riquinhos ;D

Rebeca Abrunhosa disse...

você nem imagino o quanto, Rafael *-*