quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

--

"Um dia você percebe que no decorrer da vida você encontra, perde, lembra, esquece e ama muitas pessoas. E percebe também que você é uma dessas pessoas que podem ser encontradas, perdidas, lembradas, esquecidas e amadas a todo instante..."


Dizem que cada um de nós tem uma metade, a tal alma gêmea que nos completa por inteiro. Dizem também que só há um amor mesmo, O GRANDE AMOR DA SUA VIDA e que quando ele chega, sabemos de alguma maneira que é ele. Sinceramente, eu não acredito em nada disso. Não, apesar de todas as adversidades e de a cada dia as pessoas parecerem empenhadas em me convencer do contrário, eu não deixei de acreditar que podemos sim sermos ''felizes para sempre'' com alguém. O que quero dizer é que, na verdade, acredito que nós seres humanos temos a capacidade de amar muitas vezes, muitas pessoas no decorrer da vida. Sempre de maneira diferente, não sei se na mesma intensidade ou não, porque é meio esquisito graduar sentimentos; eles tendem ao infinito e dependem mais do espaço que nós mesmos damos à eles para crescerem. Mas creio que tudo é amor. Amor verdadeiro, genuíno, válido.

"Cada relacionamento entre duas pessoas é absolutamente único. Por isso você não pode amar duas pessoas da mesma maneira. Simplesmente é impossível. Você ama cada pessoa de modo diferente por ela ser quem ela é e pela especificidade do que ela recebe de você." A Cabana, Pág. 199

Exatamente por isso, acho que a diferença entre todas as outras para a tal com quem poderemos funcionar por um bom número de anos, ou até o fim de nossa existência - quem sabe -  certamente tem muito mais a ver com as circunstâncias em que ela aparece em nossas vidas e entrega de cada um no relacionamento do que com ela ser simplesmente a tampa da nossa panela. Ou seja, acho que não há A pessoa especifica perdida ai por esse  mundão, mas UMA pessoa que vai te amar e que você vai amar também, tão disposta quanto você a fazer as coisas darem certo.

Só para começar, eu questiono aquela história muito novela e filme ultra-romântico-meloso que já citei anteriormente de: "quando seu grande amor chegar você sentirá que é ele", Ei, peralá! Pelo menos comigo, isso não parece funcionar. Acho que eu então jamais saberia quem é o "escolhido" mesmo, pois toda vez que me apaixono acredito que aquele é O cara, que jamais encontrarei outro assim para mim e blablablá. É, o amor sempre nos deixa cegos e esquecemos das milhões de outras pessoas que estão por aí, esperando para serem "encontradas" por todos nós. Mas aí, quando acaba tudo, conheço outro mais "o cara" ainda e começa a história outra vez.

Digo "acaba" o relacionamento, no caso. Pois se há um ditado sobre o amor com que eu concordo inteiramente é: "se acabou, não era amor". Podia ser carência, atração, sentimento de propriedade. Mas creio que se há alguém que mexe com você, pelo motivo mais inexplicável que seja, ele sempre mexerá. Não importa o que aconteça, a vida pode girar trocentas vezes de cabeça para baixo, um dia quando você parar para olhar, o sentimento ainda estará lá. Mas isso não é garantia nenhuma de que o relacionamento entre esses dois tem que dar certo. Quem dera o amor bastasse! Às vezes as cicatrizes mal curadas que carregamos, as prioridades incompatíveis de cada um no momento, os projetos de vida divergentes, as ideias e padrões de comportamento conflituosos, a inexperiência e falta de maturidade para lidar com certas situações a dois, a distância e tantos outros se tornam empecilhos intransponíveis. E é ai que entra a importância das circunstâncias e do momento em que as coisas acontecem de forma crucial para que a relação funcione ou não.

Porque vejamos, quando conhecemos alguém e há o "estalo", o sentimento a partir dali tende a ser crescente. A cada dia que passa o sujeitinho lhe rouba mais horas do seu pensamento, as músicas cada vez parecem ter mais a ver , o nome dele está nas placas na rua, nos muros, na TV; e quando o telefone toca, seu coração pula: "é ele !". A partir daí, quando todo o Universo parece conspirar a favor do romance e os dois estão decididos a entregar-se integralmente e ceder em prol um do outro, é onde se constroem os relacionamentos duradouros. O tempo e a convivência cuidam de tornar o vínculo cada vez mais difícil de ser quebrado e o sentimento aqui não é mais crescente, porém mantem-se estabilizado num bem querer, confiança e respeito mútuo.

Por exemplo: Sabe os avós daquele seu amigo que são casados há 60 anos? É claro que eles não acordam a cada dia com mais vontade de estarem juntos, com toda aquela loucura e vivacidade do início. Mas atreva-se a apenas cogitar a hipótese de um ficar sem o outro e um mar de lágrimas rolará. Penso que esse é o grande amor que dizem que nós devemos encontrar na vida. E é por isso que insisto que tudo se resume em um amor recíproco vinda em boa hora.


Mas voltemos lá quando você levou a flechada do cupido e está se vendo a cada dia mais apaixonada pelo dito-cujo. Mas desta vez os ventos não parecem estar ajudando e a distância separou o casal de pombinhos. Ou o seu amor nem correspondido era, ou o cara não queria nada sério. E aí, o que acontece então? Tem início o período melancólico (de duração variável, dependendo da pessoa e do nível da relação) de não-vou-mais-amar-ninguém-assim, não-sei-mais-viver-sem-ele, tudo-faz-lembrar, não-consigo-esquecer. Na verdade, geralmente não conseguimos quebrar o vínculo porque no fundo não queremos conseguir. Ou melhor, porque nós inconscientemente nos permitimos continuar naquela situação de dependência do outro. Porque por mais que estejamos sofrendo e que racionalmente queiramos sair dessa, de fato é difícil para qualquer ser humano pegar o sentimento cultivado, todas as experiências vividas, os planos de um futuro juntos, os sonhos partilhados e esperanças de felicidade depositadas e simplesmente descartar, jogar no lixo e esquecer. Enquanto o fantasma do passado estiver rondando, preferimos quase que instintivamente alimentá-lo, esperando que algo de bom ainda possa ressurgir daquela história para que tudo não tenha sido em vão, à de fato olhar para a frente e seguir adiante com as mãos vazias. E para dar uma ajudinha nesse processo tão complicado, só existe uma fómula: Distância + Tempo + Um novo amor.


"Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perda de espaço, de tempo, paciência, sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça."  Caio Fernando de Abreu


Pode ser totalmente clichê e citado por quase todos os pseudo-psicólogos das revistas femininas e livrinhos de auto ajuda como o único remédio para esquecer o infeliz, mas é verdade. Primeiro, porque se sentir ''balançada'' por uma outra pessoa, mesmo que seja um sentimento confuso, meio torto, é a primeira prova de que seu coração já começa a desatar as amarras do ''fantasma'' e a ser capaz de enxergar vida para além do relacionamento frustrado. Segundo, porque, com a distância, o antigo sentimento não tem mais alimento e tende a se encolher diante do surgimento e crescimento do novo, que acaba o tirando de foco. E o tempo então apenas termina de guardá-lo numa caixinha de memórias. Isso, acho que ele fica guardado, não é esquecido e nem deletado. Porque se um dia as coisas mudarem e a pessoa reaparecer, num novo momento, com tudo diferente, acredito que o estalo se dará novamente e aí pode, quem sabe, dar certo desta vez. Porque o amor pode ir e vir em meio as peças que a vida nos prega, mas sempre que os dois amantes se reencontrarem, perceberão que ele ainda está ali. Porque ele sempre esteve em algum lugar lá dentro, vivo.

Penso que um amor de verdade só morre mesmo quando os problemas que acabam com o relacionamento deixam de ser circunstanciais (por exemplo: quando os momentos bons juntos já não compensam os desentendimentos, os acertos não tornam suportáveis ou ao menos miniminizam os erros e a presença do outro, que fazia ganhar o dia, agora cansa, irrita. Isso tudo é referente ao momento atravessado pelos dois, pode ir e vir no tempo, é passageiro.), e passam a ser substanciais, intrínsecos ao próprio sentimento amor. Como quando um dos dois muda. 
Não estou falando de mudanças naturais, fruto do amadurecimento, pelas quais todos estamos passando todos os dias. Essas, assim como quando estamos diariamente com um criança e não conseguimos nos dar conta muito bem do seu crescimento, numa relação a dois onde passa-se junto por elas se torna uma experiência tão sutil que é quase imperceptível. Estou falando de mudanças bruscas, que ocorrem às vezes por conta de experiências intensas que passamos na vida e que mudam  características importantes da nossa personalidade, cortam qualidades e até defeitos que, como bem disse Lispector, às vezes sustentam o edifício inteiro. Ou quando somos nós mesmos que de repente abrimos os olhos para quem o outro é de verdade, pois quantas vezes criamos personagens que gostaríamos que o outro fosse e acreditamos neles. Até o dia em que percebemos que não era nada daquilo. Ou ainda a pior mudança que pode haver, dentre todas essas: que é quando traem nossa confiança e fazem algo que jamais esperaríamos. Pode ser qualquer coisa. Aí é como se tudo em que acreditamos até ali fosse mentira e a pessoa que pensávamos conhecer deixasse de existir e, com ela, o amor que lhe dedicávamos também se despedaça e se esvai.

Mas a lição que tiramos de todas essas situações é que devemos imaginar todos e cada um dos nossos relacionamentos como uma casa. Uma casa que devemos sempre cuidando, espanando a sujeira para longe e enfeitando com coisas bonitas. Mas se você limpa e a outra pessoa suja; Se você enfeita e ela quebra; Se você conserta o telhado e ela taca uma pedra; NÃO ACEITE UMA CASA EM PEDAÇOS!!! Liberte-se e vá para a rua, porque o primeiro requisito para dividir a casa com alguém e ser bem sucedido nisso é não precisar da casa. É ser suficiente para si mesma e só estar nela porque lhe acrescenta, agrega coisas boas. Não tenha medo de ficar meio perdida e sozinha por um tempo. Enquanto estiver andando por aí aproveite para conseguir paciência, lealdade, sinceridade e muitos outros enfeites. Aos poucos você começará a notar novas casas e em uma delas certamente encontrará alguém que trará consigo enfeites como os seus. Vocês se unirão para fazer aos poucos daquela casa um castelo e, então, poderão finalmente ter um final feliz.


--

5 comentários:

G. Sch disse...

Cara, ameeeeei seus textos (:
estou seguindo o blog !
peguei algumas ideias de temas pra mim abordar no meu de repente...
www.gschmalfuss.blogspot.com
beijos, e parabéns.

Idália Borba ; disse...

adoreeeei *-* vou seguir

Ariela disse...

"quantas vezes criamos personagens que gostáriamos que o outro fosse e acreditamos neles"

disse tudo.

Gostei muito do seu blog, já estou seguindo também!

Tassyane disse...

Rebeca, lindo seus textos, verdadeiros. ADOREI o blog. Beijos

Patrick disse...

Amores vem e vão porque normalmente só um dos envolvidos se entrega de verdade, incondicionalmente, fazendo de tudo pra que seja pra sempre.
Se todo amor ficasse resolvido, não teriam tantos corações partidos.
=)

www.fotolog.com/patrickmortis