quinta-feira, 4 de agosto de 2011



E quem te disse, menina, que o amor é doce?
Pois não engana-te mais: o amor é ácido. Ácido forte.
Corrói tua pele, te deixa em carne viva, exposta, aberta em feridas.
Frágil e vulnerável.
Dissolve montanhas, distâncias, paredes de mármore e coração de gelo.
Sufoca, entrangula, mata.
Não tem sutilezas e nem permissões.
Atreve-se a queimar teu corpo sem o menor sinal de pudor ou culpa.
Não, em nada o amor lembra a leveza do mel
Mas os duros ferrões das abelhas!
E eis porque no rótulo de seu frasco deve pulsar a reomendação:
Perigo - Efeitos Colaterais. Dependendo da dose, pode ser fatal.

domingo, 17 de abril de 2011

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"Não se nasce mulher; torna-se." Simone de Beauvoir

Há algo mais plural do que uma mulher? É verdade, nenhum homem na face da Terra, mesmo que gastasse toda a sua vida a treinar, seria capaz de fazer outro homem parar de falar sobre aquele assunto com um olhar. E de demonstrar desejo com um outro diferente. E doçura com outro mais. Afinal, quantos olhares tem uma mulher? Quantas mulheres habitam o corpo feminino? Mesmo entre os que a conhecem mais profundamente, é difícil achar relatos coincidentes sobre uma mesma mulher. A segurança e independência que como um furacão surgem em alguns momentos, num piscar de olhos dão lugar a inconstância e fragilidade. Que mulher nunca sonhou em largar tudo e viver de amor? E de glamour? Quantos poetas tentam há séculos decifrar seus anjos e demônios? A força capaz de te levantar abruptamente do chão e o poder de dia a dia envolver sutilmente e apresentar o abismo? Se algum dia em alguma batalha céu e inferno se repartiram de alguma premissa comum, podemos decretar que de fato a mulher é a geradora universal... Há algo mais singular do que uma mulher?

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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Brevidade

Tudo o que é artesanato me fascina.
Literatura, por exemplo.

Como qualquer produto de mãos humanas, ela é constituída de tudo o que influencia o homem e essas mãos que lhe tecem, de modo que me inquieta descobrir o mais entre as linhas e os pontos: O processo de criação, o tempo histórico, a fé, as dúvidas, o sentimento, as experiências, as agulhas tortas, o dedo calejado, o traçado esquisito ao escrever o S minúsculo...